terça-feira, 20 de maio de 2008

As Vindimas da Noite


Realizou-se, no passado dia 11 de Maio, no Salão Nobre do Museu de Arqueologia, nos Jerónimos, em Belém, Lisboa, o lançamento do novo livro de poesia de Maria do Sameiro Barroso. Numa primeira parte do evento, alunos e professores da Academia de Música José Atalaya – Fafe - tocaram peças de compositores ibéricos, de entre os quais destacamos Fernando Sor. Numa segunda parte ocorreu o lançamento propriamente dito - o novo livro desta poeta intitula-se "As Vindimas da Noite" e tem a chancela da "Editora Labirinto". A leitura dos poemas esteve a cargo da actriz Isabel Wolmar. Na fotografia acima colocada, tirada durante o acontecimento, podemos ver, da esquerda para a direita: a romancista Seomara da Veiga Ferreira, João Artur Pinto (o editor), Maria do Sameiro Barroso (a autora) e Victor Oliveira Mateus. Do livro destacamos:



"Um Clamor de Anémonas"

Para Albano Martins


Numa varanda verde, assoma um esqueleto marinho,
um clamor de anémonas,
uma selva aquática onde os leopardos de frescura
despontam, sobre o ouro e o fogo,
nas nuvens altivas, nas redes esquivas,
nas panteras de anil que, entre as neblinas de cetim
repousam.

Ao pôr-do-sol, as luzes do mar acendem-se,
em seus lampejos de inviolada lonjura.
As papoilas adormeceram já, rasgado
o seu fulgor, sobre as meditações do mar,
ao pôr-do-sol.

Que resta então, senão trabalhar o oiro, a metáfora,
escutar, nos aturdidos clarões, as sécias,
o rosmaninho, o incenso em botão,
os vulcões da palavra?

Que resta, senão parar, para mondar a seara ardente
e a libertar do seu ofício funcionário,
atear o sol
e as restituir às algas, à seda,
os pincéis de luz, o tapete de musgo,

o seu invólucro de estrelas?


Maria do Sameiro Barroso, In "As Vindimas da Noite"

Texto retirado do blog "A Dispersa Palavra" de Victor Oliveira Mateus

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